sábado, 5 de fevereiro de 2011

E agora, o que eu digo?

Há alguns dias minha filha de seis anos me confrontou com a seguinte questão: “Mãe, se o bandido fica doente, não precisa chamar o médico, né? Pode deixar morrer.”

Não consigo imaginar como foi que ela chegou a essa conclusão ou onde foi que ela escutou isso. Me incomoda pensar que ela pode ter escutado alguma coisa assim dentro de nossa própria casa e, me põe no meio de um dilema.

Afinal, onde fica a fronteira que demarca o que é ético, moral ou mesmo legal? Sim, porque até a lei está sujeita a interpretações.

Quem nos assegura o que é lícito, correto e aceitável para a vida?

Como eu posso afirmar com toda a certeza para minha filha que não, não se deve deixar ninguém morrer, conscientemente, nem na cadeia nem fora dela quando, por vezes, eu mesma penso isso?

Quantas vezes eu ouvi notícias sobre estupradores, pedófilos, assassinos de seus próprios filhos e pensei: por quê não somem? por quê não morrem? por quê não se afogam em seu próprio veneno e desaparecem da terra?

Ao final das contas, talvez minha questão nem seja essa. Acho que meu ponto é: será certo eu dizer para minha filha o que ela deve pensar? Devo apresentar a ela o meu ponto de vista sobre o andamento do mundo como se fosse a coisa certa a se fazer? Como posso explicar para uma criança a relatividade de todas as coisas?

Há algum tempo, via twitter, o Tico Santa Cruz, do grupo Detonautas (@TicostacruzRock) apresentou um dilema parecido entre ele e o filho. Segundo ele, o filho perguntou quem era Osama Bin Laden e ele ficou em dúvida se deveria dizer que Osama era um terrorista ou que era um revolucionário. Na época eu não entendi como isso poderia ser importante até minha filha me fazer esse questionamento. É certo qualificar? É certo dizer ao seu filho o que ele deve pensar?

Para quem estiver curioso, eu disse a minha filha que todas as pessoas têm que viver, mesmo os bandidos, porque enquanto estão vivos eles sempre podem se arrepender e mudar, e mesmo que não possam consertar o que estragaram, ainda podem se tornar pessoas melhores do que são agora.

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