quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Desejos de Grávida


Estou com uma amiga gravidíssima e feliz então fiquei um pouco nostálgica com relação a coisa gravidez. Tenho duas filhas, a mais nova beira os quatro anos e a gente se esquece rápido dos momentos especiais que viveu pelo único e simples motivo de que eles são substituídos por outros. É impressionante quantos momentos as crianças nos proporcionam.
Um dia eles fazem uma coisa incrível e a gente pensa que vai se lembrar disso a vida toda e então, dez minutos depois, eles fazem uma coisa mais incrível ainda.
Mas, não é nada disso que eu quero falar. Quero falar sobre os desejos da gravidez. Há muito tempo atrás, quando eu nem sonhava em ser mãe, ri muito de uma outra amiga minha que, durante a gravidez, comeu um sabonete. Simples assim: comeu um sabonete. Aí você lê isso e não consegue imaginar como alguém pode comer um sabonete. Eu também não consigo. Mas, essa mulher fez. Contou-me que, certo dia, o marido saiu do chuveiro só com a toalha enrolada. Ela olhou pra ele, com os olhos cheios de cobiça e disse:
- Amor, ‘tô com vontade de comer uma coisa...
- Ah, nem vem agora que eu vou me atrasar pro trabalho! (homens, humpf)
Então essa amiga passou direto pelo marido horrorizado, entrou no boxe do banheiro e comeu aquele sabonete com um apetite digno de quem está comendo por dois.
Eu ri muito quando ela me contou essa história. Não. Estou mentindo. Eu não apenas ri, eu duvidei da veracidade da história. No meu universo aquela cena só podia ser fruto de uma imaginação prodigiosa.
Há também outra história de grávida, não lembro direito quem foi, mas o desejo dela foi comer terra. Eu, pessoalmente, acho que é um desejo bem comum – já ouvi falar de muitas grávidas querendo comer terra – mas a grávida em questão sentia muita vergonha do desejo e lutou contra ele durante um bom tempo até que, num dia de chuva, o cheiro de terra molhada foi mais forte que a vergonha e ela pegou uma colher foi até o quintal e cavou um pouquinho. O objetivo era tirar a terra de cima para comer a de baixo que era “mais limpa”. Sacaram? Raciocínio lógico não é o forte nesse ciclo da vida feminina.
Quanto a mim, tive apenas um desejo na gravidez das duas filhas: comer papel. Foi por causa dessa vontade de comer papel que tive certeza de que estava grávida da segunda filha.
Minha história foi parecida com a da comedora de terra ali em cima. Primeiro senti vergonha daquela vontade de comer papel, não a entendia e lutei contra ela. A minha rendição se deu numa noite em que eu, terminado um rolo de fio de crochê – estava fazendo um vestido – deixei o cone de papelão que ficava no meio do novelo ao lado da cama. Durante a noite, acordei salivando e, sem me dar conta, comecei a morder e mastigar aquele cone até não sobrar nada além do sentimento de dever cumprido. 
Dormi muito bem aquela noite e assim foi até o nascimento do bebê. 
Tratei o fato como inevitável e, sempre que tinha vontade, comia um pedaço de papel. Meus preferidos eram aqueles feitos com material reaproveitado – desejo sustentável – eu não gostava de papel branco, comia papel Kraft, Manilha e até papel higiênico.
Qual a lição que se tira disso? Nenhuma (booooh).
Só escrevi tudo isso pra dizer: se você está grávida e tem alguma vontade esquisita, aproveite e curta. Coma papel, coma terra, coma bife mal passado coberto com doce de leite (conheci uma grávida que comia isso), coma sabonete ou o que quer que seja e não sinta vergonha. Curta esse momento. Depois o bebê nasce e esses pequenos prazeres somem.
Em tempo, minha vontade de comer papel nunca mais se manifestou.