sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Errei

Eu errei! Eu erro muitas vezes nesse meu ofício de mãe mas, por algum motivo esse erro específico me incomodou muito durante todo o dia de hoje.
Talvez esse incômodo seja pela lembrança dos olhos da minha filha mais nova me olhando como se pedisse socorro ao mesmo tempo que me condenasse pela minha omissão. Talvez seja pela culpa por estar cansada demais pra me atentar a detalhes como o fato de ela nunca chorar à noite então, logicamente, eu deveria saber que algo estava errado. Talvez seja apenas amor próprio, orgulho... não gosto de errar.
Sou analista de sistemas. Há muito tempo trabalho com tecnologia. No meu mundo perfeito tudo tem lógica, tudo pode ser medido, setorizado, esquematizado. Todo projeto deve ter escopo.
Quando me descobri grávida da minha primeira filha sabia que parte disso deixaria de ser verdade. Me assustei. Mas nem em minhas mais delirantes previsões eu sonharia que a vida de mãe seria algo tão maluco assim. Não consegui me concentrar em meus sistemas o dia todo só pensando naqueles olhinhos arregalados na madrugada.
Foi apenas uma picada. Pode ter sido de qualquer inseto. Provavelmente não vai dar em nada, além da vermelhidão que já atingiu a perninha dela mas, com certeza, a lembrança daquele olhar não vai deixar a minha mente tão cedo.
Irracional!! Totalmente passional. Esquisita essa sensação.
Na madrugada, caindo de sono eu fiz minha escolha: ignorei o pedido de socorro, botei na conta de manha, logo ela que nunca usa desse tipo de truque na hora do sono. Ainda de madrugada, quando acordei e vi aquele rostinho lindo do meu lado na cama - ela teve medo de voltar para a própria cama - acordada, de olhos arregalados aí sim percebi que fiz a escolha errada.
De manhã o arrependimento.
O dia inteiro a culpa.